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Silvicultura sustentável ou greenwashing?

Atualizado: 11 de mai. de 2023

Um dos maiores programas de certificação florestal da América do Norte está sob investigação por colocar seu rótulo sustentável em produtos não sustentáveis. A Ecojustice, uma organização não governamental (ONG) especializada em direitos ambientais, apresentou uma primeira denúncia em novembro de 2022 contra a Iniciativa Florestal Sustentável (SFI), que resultou nesta investigação. Entrei em contato com ambas as partes para entender melhor os motivos da investigação.




"Não sei quando o Competition Bureau emitirá sua declaração, mas acho que concordará conosco porque fornecemos evidências convincentes", contou-me Kegan Pepper-Smith, um dos advogados da Ecojustice.


Em fevereiro de 2023, o Competition Bureau iniciou uma investigação após uma denúncia da Ecojustice e outras ONGs. Para elas, este é um passo fundamental para responsabilizar a SFI pelo greenwashing de certos produtos florestais.


No entanto, se o advogado acha que a possibilidade do Competition Bureau estar do lado da Ecojustice é grande, a SFI afirma que a "reivindicação não tem mérito nenhum. Algumas das mesmas organizações (e outros grupos) já tinham apresentado queixas semelhantes à Federal Trade Commission (FTC) nos Estados Unidos e, após investigação, a FTC não encontrou violações e, portanto, não tomou nenhuma ação contra a SFI".


No Canadá, se a investigação chegar à mesma conclusão, a Ecojustice diz que está pronta para aumentar a conscientização pública sobre o greenwashing da certificação e usar a pressão pública para ser ouvida, explicou-me Pepper-Smith. "No final das contas, é uma luta injusta para nós porque temos poucas maneiras de lutar contra uma das maiores certificações florestais da América do Norte. O Competition Bureau é a única forma que temos de responsabilizar o SFI", ele adicionou.


Mas tudo não parece tão simples. A SFI considera fraco o principal argumento da denúncia, baseando-se apenas na semântica do termo "sustentável". O organismo de certificação acha "altamente improvável que a Ecojustice tenha sucesso". E de fato, a denúncia que deu origem à investigação afirma que "o termo sustentável da certificação é falso e enganador" porque, como me explicou o advogado da Ecojustice, "incentiva os consumidores a comprar produtos das florestas mais ameaçadas do país ”.


Por outro lado, o organismo de certificação afirma ter "sua própria definição de sustentabilidade para o uso dos profissionais em organismos de certificação e organizações certificadas".


Como podemos, então, definir o que é "sustentável" ?


A definição de silvicultura sustentável da SFI considera: "a integração do reflorestamento e o governo, crescimento, cuidado e colheita de árvores para produtos úteis" e também fornece "serviços que ajudam o ecossistema, como a conservação da qualidade e quantidade de solo, ar e água".


"Do ponto de vista científico, consideramos sustentável uma certificação que preserva o equilíbrio ecológico da terra, evitando a criação de desequilíbrios no ecossistema”, conta-me Liat Podolsky, cientista sênior da Ecojustice. Para ela, a SFI certifica certas operações que não conservam as florestas, mas empobrecem os ecossistemas. Por exemplo, a Ecojustice afirma que a certificação de sustentabilidade permite o corte raso. No entanto, a SFI afirmou-me plantar árvores no lugar daquelas que foram cortadas.


E se novas árvores forem plantadas para substituir as cortadas, isso não é bom? Não necessariamente, julga Podolsky.


"Eles permitem o corte raso e substituem as árvores cortadas por árvores jovens. Mas a biodiversidade de algumas florestas não é substituível, pelo menos não a curto prazo. Alguns ecossistemas dependem exclusivamente de florestas antigas. Não podem substituir o antigo habitat plantando novas árvores porque algumas espécies dependem especificamente desses habitats antigos e, portanto, estão em perigo de extinção. E, em geral, em casos como esses, a produtividade e a regeneração de uma floresta também estão ameaçadas”, explica ela.


A pesquisa sobre paisagens florestais intactas, que são às florestas antigas mencionadas por Podolsky, mostra que essas florestas foram reduzidas de 7,2% desde o ano 2000 (a extração industrial de madeira, a expansão agrícola, os incêndios e a mineração sendo as principais causas dessa redução). Outros estudos indicam que a perda de florestas intactas pode "exacerbar os efeitos das mudanças climáticas" e levar "à extinção de muitas espécies, além de prejudicar comunidades pelo mundo ao perturbar o clima e a hidrologia regionais e devastar as culturas de muitas comunidades indígenas".


Portanto, se o Competition Bureau considerar que a Ecojustice está correta, a SFI será obrigada a remover as alegações de sustentabilidade de suas comunicações públicas e do nome do programa, mas também remover publicamente suas alegações de sustentabilidade e pagar uma multa de até 10 milhões de dollars destinada a projetos de conservação. Para já, a investigação está em andamento, mas vou mantê-lo informado sobre os acontecimentos.

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